FAMÍLIA, FÉ, RESPEITO, FIDELIDADE E AMOR
O Que É Família?
No sentido mais simples e mais profundo, família é o grupo de pessoas que compartilham o mesmo teto, unidos pelos laços do sangue e do afeto, pai, mãe e filhos vivendo juntos, construindo uma história comum. Mas família vai muito além de uma definição jurídica ou sociológica. Família é o primeiro ambiente onde aprendemos a amar, a ceder, a perdoar e a crescer. É onde o caráter é moldado e onde os valores são transmitidos de geração
em geração.
Em nosso ordenamento jurídico, a Constituição Federal do Brasil, em seu artigo 226, reconhece a família como “a base da sociedade”, merecedora de especial proteção do Estado. Isso não é mero formalismo legal, é o reconhecimento de que nenhuma nação se sustenta sem famílias sólidas. A Bíblia antecipou essa verdade desde o princípio: “Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne”
OS QUATRO PILARES DA FAMÍLIA
1° Pilar, Deus: A Base de Tudo Toda construção precisa de um fundamento. Uma família que tenta se edificar sobre areia, sobre convenções passageiras, sobre interesses momentâneos ou sobre o orgulho humano, inevitavelmente balança nas tempestades da vida. O primeiro e mais essencial pilar de uma família é Deus. Não se trata apenas de religiosidade ou de frequência a um templo. Trata-se de reconhecer que somos criaturas, e que o Criador estabeleceu uma ordem para a família que é boa, justa e protetora. O Salmo 127:1 é direto: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.” Salmo 127:1
2° PILAR, RESPEITO: A CONDIÇÃO DE ESTARMOS JUNTOS
O respeito é o que torna possível a convivência. Sem ele, o lar se transforma em campo de batalha. Com ele, pessoas diferentes, com temperamentos, opiniões e fases de vida distintos, conseguem habitar o mesmo espaço e crescer juntas. Respeitar é reconhecer que o outro tem limites, tem um espaço que precisa ser honrado. Entre pai e mãe, o respeito significa escutar antes de responder, discordar sem humilhar, e jamais tratar o cônjuge como adversário. Entre pais e filhos, o respeito é duplo: os pais respeitam a individualidade dos filhos, e os filhos honram a autoridade dos pais, não por medo, mas por amor. A Bíblia é precisa nesse ponto:
“Honra teu pai e tua mãe” (Êxodo 20:12) é o único dos dez mandamentos que vem acompanhado de uma promessa, “para que se prolonguem os teus dias.”
Em nosso ordenamento jurídico, a Constituição brasileira também caminha nessa direção, estabelecendo no artigo 229 que os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Direitos e deveres que se equilibram, essa é a linguagem do respeito.
O respeito não sufoca. Pelo contrário, ele cria a liberdade verdadeira, porque quando cada um sabe até onde pode ir, ninguém precisa se defender o tempo todo. O lar se torna seguro.
3° PILAR, FIDELIDADE: A FORÇA DE UMA PROMESSA CUMPRIDA
Uma família começa com uma promessa. Diante de Deus, diante de testemunhas, dois adultos livres olham nos olhos um do outro e dizem: “Eu escolho você. Para sempre.” Uma promessa dessas não é pequena. Ela carrega o peso de toda uma vida, de filhos que nascerão, de crises que virão, de alegrias que serão partilhadas e de dores que precisarão ser suportadas juntos. A fidelidade é o que dá substância a essa promessa.
Ela não se resume à dimensão física, é muito maior. É ser fiel à palavra dada. É estar presente quando a presença custa caro. É não abandonar quando os sentimentos esmorecem, porque quem constrói uma família sobre entimentos apenas encontrará ruína no primeiro inverno.
A fidelidade dos pais cria algo imensurável nos filhos: segurança. Uma criança que cresce vendo o pai e a mãe
fiéis um ao outro aprende, sem que ninguém precise ensinar com palavras, que o amor é confiável, que
promessas têm valor, que compromisso é coisa séria. Isso ela levará para seus próprios relacionamentos.
As Escrituras associam a fidelidade ao próprio caráter de Deus:
“Conhece, pois, que o Senhor teu Deus é Deus, o Deus fiel”
Deuteronômio 7:9
Uma família que pratica a fidelidade está, nesse sentido, refletindo algo do próprio coração do Criador.
4° PILAR, AMOR: O QUE SUSTENTA TUDO
Por último, mas não menor, pois é o que anima todos os outros pilares, está o amor. Não o amor como sentimento efêmero, mas o amor como decisão, como prática diária, como escolha renovada a cada manhã.
O apóstolo Paulo descreveu esse amor de maneira que nenhuma definição secular jamais superou:
“O amor é paciente, é bondoso; o amor não é ciumento, não se vangloria, não se ensoberbece. Não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita do mal. Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
1 Coríntios 13:4-7
Quem ama não quer o mal do próximo. Quem ama no lar não humilha, não manipula, não abandona. O amor corrige com cuidado, exige com ternura e perdoa com generosidade. É ele que faz do lar não apenas um lugar para dormir, mas um lugar para pertencer.
FAMÍLIA E MAÇONARIA: UMA RELAÇÃO QUE PRECISA SER COMPREENDIDA
Há uma tensão que muitos maçons conhecem bem, aquela que começa antes mesmo de bater à porta da Loja pela primeira vez. A tensão que nasce dentro de casa, nos olhos da esposa, nas perguntas dos filhos. “O que é isso? Para onde você vai?
O que fazem lá dentro?” Essa tensão é legítima. Uma família que ama não é uma família desinteressada, é uma família vigilante. E o amor vigilante faz perguntas. Antes de ingressar na maçonaria, minha esposa me disse algo que ficou gravado na memória: A Loja Branca da A.R.L.S. Batuíra 3676, Guardiã da Família.
Um dos momentos mais significativos nessa caminhada foi a Loja Branca que realizamos na A.R.L.S. Batuíra 3676, no Palácio do GOSP, sob o tema “Desmistificando a Maçonaria”. Ali, as portas foram abertas, não apenas fisicamente, mas simbolicamente, para que as famílias dos irmãos pudessem sentar, ouvir, perguntar e compreender.
Foi um gesto de coragem institucional e de amor familiar. Porque quando a maçonaria abre espaço para a família, ela não está contradizendo seus princípios, está os cumprindo. A Ordem ensina a virtude, o dever, o aperfeiçoamento moral. Nada disso faz sentido se o irmão maçom chega em casa e é um marido ausente, um pai distante ou um homem que esconde coisas de quem mais ama.
A Loja Branca foi o espaço onde as dúvidas puderam ser ditas em voz alta. E onde ficou claro que o que aprendemos dentro da Loja não contradiz o queprofessamos em casa, pelo contrário, deveria reforçar. O respeito que praticamos no Templo precisa chegar à mesa do jantar. A fidelidade que juramos aos princípios da Ordem precisa estar presente no abraço que damos em nossa esposa. O amor ao próximo que cultivamos entre irmãos deve começar, antes de tudo, por aqueles que dormem sob o mesmo teto.
EDMAR DA SILVA COSTA
1º Vigilante
ARLS Batuira 3676 Guardiã da Familia
Contato: 11 94730-1808




