O QUE SILENCIOSAMENTE ADOECE HOMENS E MULHERES FORTES.
Vivemos em uma sociedade que valoriza produtividade, resistência e autocontrole. Desde cedo, aprendemos a
sermos fortes, eficientes e capazes de suportar pressões sem demonstrar fragilidade. Entretanto, enquanto sustentamos responsabilidades, compromissos e papéis sociais importantes, muitas vezes nos afastamos
silenciosamente de nós mesmos.
A saúde mental não se refere apenas à ausência de transtornos emocionais. Ela envolve equilíbrio interno,
qualidade dos vínculos, capacidade de lidar com emoções, consciência de si e sentido de vida. Em tempos
de excesso de informações, cobranças constantes e relações cada vez mais superficiais, cuidar da mente
tornou-se uma necessidade essencial.
Nem todo sofrimento é visível. Muitas pessoas continuam trabalhando, sorrindo, cuidando da família e cumprindo suas obrigações enquanto emocionalmente vivem exaustas. A ansiedade, o esgotamento mental, a
dificuldade em descansar, a irritabilidade constante e o sentimento de vazio têm se tornado cada vez mais
frequentes, ainda que muitas vezes silenciosos.
Existe um adoecimento emocional particularmente presente em pessoas que acreditam que precisam
suportar tudo sozinhas. Homens e Mulheres ensinados a não demonstrar vulnerabilidade, associando emoções à
fraqueza, peso de sustentar emocionalmente a família, o trabalho, os relacionamentos e inúmeras responsabilidades simultaneamente. Criando-se um modelo de força que ignora os próprios limites humanos.
Segundo a Psicanálise, criada por Sigmund Freud, o sofrimento humano não está apenas nos acontecimentos
atuais, mas também naquilo que foi silenciado ao longo da vida. Emoções reprimidas, dores não elaboradas e
experiências emocionais marcantes tendem a permanecer no inconsciente, influenciando pensamentos,
comportamentos e relações sem que muitas vezes a pessoa perceba.
Freud afirmava que “aquilo que não é elaborado retorna”, e frequentemente retorna sob a forma de
sintomas emocionais, como ansiedade, angústia, conflitos nos relacionamentos ou até mesmo através de sintomas no próprio corpo. Muitas vezes, o excesso de controle, a necessidade constante de aprovação, o medo do abandono ou a dificuldade em expressar sentimentos possuem raízes emocionais profundas construídas desde a infância.
Por isso, a atenção a saúde mental torna-se uma importante ferramenta de cuidado emocional. Conhecer
a si mesmo é compreender as próprias reações, reconhecer limites, perceber padrões de comportamento e olhar com mais consciência para a própria história. Não se trata de viver preso ao passado, mas de compreender como ele pode influenciar o presente.
“A SOLIDÃO ADOECE A ALMA; É NO ESPELHO DO OUTRO, PELO AFETO E PELO PERTENCIMENTO, QUE ENCONTRAMOS A NOSSA CURA.”
Além disso, os vínculos humanos possuem papel fundamental na preservação da saúde mental. Ambientes
onde existe escuta, respeito, acolhimento e senso de pertencimento tornam-se fatores de proteção emocional. O ser humano adoece no isolamento e se fortalece na construção de relações verdadeiras.
Em uma época marcada pela pressa e pelo excesso, talvez uma das maiores demonstrações de sabedoria seja
aprender a desacelerar internamente. Permitir-se sentir, reconhecer limites, buscar ajuda quando necessário e
cuidar da própria mente é sinal de maturidade emocional. Cuidar da saúde mental é também uma forma de
responsabilidade consigo mesmo e com aqueles que caminham ao nosso lado.
Falar sobre si, reconhecer as próprias dores e aceitar ser escutado não é sinal de fraqueza, mas um ato de coragem, consciência e autocuidado. Muitas vezes, a verdadeira força está justamente na capacidade de olhar para si mesmo com honestidade.
Naira Terroni
Psicalista
Presidente da Fraternidade John Philip Sousa
Contato: 11 98299-9239




