Memória e Fundação: A Passagem do Ir Luiz Henrique Coelho e o Renascimento da ARLS 7067
Na noite de 24 de maio de 2023, por volta das 18 horas, o Templo já se encontrava imbuído daquela atmosfera mística que precede os grandes marcos. Como era de seu feitio, o nosso eterno Padrinho já cruzara as colunas mais cedo, zelando para que cada detalhe estivesse em perfeita ordem. Aquela não seria uma noite qualquer: preparávamo-nos para a nossa primeira sessão após a regularização da Oficina.
Diante do impacto da perda e em respeito imediato ao legado daquele que foi o pilar de nossa
fundação, os Irmãos fundadores tomaram uma decisão unânime e justa: a ARLS Jean Baptista de
Willermoz nº 7067 passaria, a partir daquele instante, a adotar o nome histórico de ARLS Luiz
Henrique Coelho nº 7067, perpetuando seu nome na posteridade.
“Sou o que sou, e não o que querem que eu seja.”
Esta máxima, que ele frequentemente repetia, traduzia com precisão a sua essência. O Ir Luiz Henrique Coelho, como qualquer ser humano, tinha suas imperfeições, mas sua virtude maçônica sobressaía a qualquer falha. Era um homem de convicções firmes, por vezes turrão, mas dono de uma generosidade ímpar, capaz de perdoar sem guardar mágoas. Era exigente com o trabalho ritualístico, mas profundamente paciente ao acolher as dificuldades do próximo. Acima de tudo, era Maçom em sua totalidade — a ponto de atrair antipatias para
defender com unhas e dentes a pureza da Sublime Ordem.
Seu último ato foi caminhar até as portas do Templo, no afã de presenciar uma sessão que, fisicamente, não pôde assistir, mas que hoje supervisiona do plano espiritual. Prestar esta homenagem e avivar a memória do
nosso Bem Amado Irmão Luiz Henrique Coelho (CIM 214016) — meu Padrinho, amigo e confidente — não é apenas um dever de gratidão, mas uma obrigação moral. Que o seu exemplo de retidão e amor à Ordem jamais seja esquecido por nenhum dos obreiros desta Loja. Sigamos firmes, justos e perfeitos, em honra ao seu nome e ao seu legado.
O quadro era reduzido, composto por poucos, mas dedicados obreiros: eu, o Irmão Cajaíba, os então candidatos — hoje Mestres Maçons — Renzo e Sergio, além do Irmão Wagner, atualmente em repouso nos passos de adormecido. Foi nesse cenário de expectativa e fraternidade que o destino nos impôs o mais duro dos golpes. Nosso mentor, padrinho e amigo começou a fraquejar; seu coração, embora gigante, trazia o cansaço das muitas batalhas travadas na jornada terrena, sinalizando que o ciclo do Bem Amado Irmão Luiz Henrique Coelho em seu invólucro carnal estava prestes a se encerrar.
O que se seguiu foi uma corrida desesperada contra o tempo rumo ao hospital. Fizemos tudo o que estava ao alcance de nossas forças e do nosso amor fraternal. Em seus últimos instantes de lucidez, ele repousou a cabeça em meu colo, em um gesto de confiança e entrega. Ao darmos entrada na unidade médica, foi constatada a parada cardíaca. Entre a angústia e a prece, um breve lampejo de esperança nos moveu a chamar suas sobrinhas, Beatriz e Samyra, cientes da gravidade do momento. Contudo, o Grande Arquiteto do Universo já reclamara sua presença no Oriente Eterno.

A FAMÍLIA:O ALICERCE DE TUDO
FAMÍLIA, FÉ, RESPEITO, FIDELIDADE E AMOR O Que É Família? No sentido mais simples e mais profundo, família é o


